
O veleiro Maria Eugénia jaz no terreno onde é suposto ser erguido e adiado Museu da Construção Naval de Santo Amaro. Por motivos nebulosos a sua recuperação ou reconstrução ficou a meio e encontra-se ali imponente num processo de degração lento à vista de todos. Não é reclamada por ninguém, não é propriedade de ninguém legitimando assim, uma não responsabilização e uma não atuação, despertando no entanto a curiosidade de todos os turistas que ali passam. É o icone fotográfico de Santo Amaro, que é hoje referida como a “Terra dos Barcos”, uma apropriação de uma narrativa que aparentemente apenas serve para fins turísticos.
O veleiro Maria Eugénia é o último vestígio de uma era de estaleiros e de construção de barcos de madeira de grande porte que permitiu uma grande dinâmica social e uma identidade e história singulares no Arquipélago dos Açores.
Hoje essa identidade, face a uma inércia e ao fenómeno de turistificação está em profunda mutação.
A intervenção AL, pretende especular sobre o cena´rio de ruína do veleiro Maria Eugénia passar a ser um alojamento local numa freguesia que tem mais camas de AL do que habitantes. Por outro lado, o objetivo desta ação passa por ativar uma discussão pública, através de comentários (leave a reply), sobre as profundas alterações que ocorrem em Santo Amaro, a partir do paradoxo entre o processo em curso de turistificação e a falta de uma estratégia para a preservação do património material e imaterial único desta freguesia da Ilha do Pico.
Haja bom senso nas palavras e nas ações.
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